
Ela era linda, de baixa estatura, mas uma beleza sem igual. Seus cabelos imitavam um tom castanho-amarelado, ondulados e escorridos pelos ombros como seda. Sua pele branca destacava com firmeza seus olhos castanho-escuros e sua boca avermelhada. Pela sua idade e talvez pela complexidade de seus pensamentos, sua estatura chamava a atenção. Sua aparência, era, sem duvidas, de uma garota com pouco menos de 12 anos. Mas a data de seu re-nascimento condenava - era 16 anos e 8 meses, próximo aos seus 17. Sendo a mais velha das amigas e da turma, a mais baixa e talvez até a mais sorridente, vivia se olhando no espelho. Para ela, sempre havia uma falha pra que sua perfeição não fosse encontrada - perfeição essa que somente os de fora conseguiam ver, ela mesma não enxergava nada disso, e sim o contrário - , espinhas, estas pequenas - e talvez somente algumas na testa e nas costas, sobrancelha e uma boca indiferente do resto do corpo. Desejava ter olhos claros, pensando que assim teria uma beleza maior, mas não enxergava seu interior. Era nele que os outros se apaixonavam. Claro que suas curvas ajudavam, com um corpo praticamente perfeito e sem as marcas que todas as mulheres odiavam. Mas mesmo assim, seu interior era diferente.Ela via beleza em cada momento da vida, menos nela mesma.
Isso, com um tempo, ela passou a valorizar, mas não adiantou de muito esforço.O que passou a incomoda-la foi o fato de não se ver em outra pessoa, mas as pessoas se vêem nela. Com seu jeito meigo e sorridente a todos que ao lado dela passava, todos talvez se encantavam com isso. Mas ela não fazia o mesmo.
Começou um relacionamento sério com alguém aos 14 anos, durando um ano. Motivo da separação? Sentia seu sentimento indiferente do parceiro. Ele a amava muito, e ela? Não tanto assim. Com isso, achou melhor a separação, mas viu logo que foi pior. Ele viu que não conseguiria viver sem ela, se fechou pro mundo, e pensava até mesmo em ir embora da pacata cidade em que morava pra não ver mais aquele amor que o deixara sem seu próprio querer. Com isso, ela sofria. Não por ela, mas por ele. Como ela poderia ser tão fria a ponto de deixar isso acontecer? Na sua opinião, ela estava errada por ter levado isso tão longe.
Tempos se passaram, e ela foi se envolvendo novamente - e sofrendo pelos outros novamente. Ela conseguia com tanta facilidade o coração dos outros, enquanto eles lutavam para conseguir o dela. Mas não imaginava que um dia as coisas seriam ao contrário, e ela seria quem lutaria pelo coração de alguém. Com a sedução, seu jeito meigo, maluco e único de ser, ela talvez pensava ter conseguido, mas o viu jogando o famoso jogo o amor, com provocações e olhares. Ela caía algumas vezes, talvez não sendo tantas por saber jogar, por fazer os dois papéis - de caça e caçador. Em sua ultima empreitada, até agora, vários lutadores estão deitados pelo chão, alguns sangrando, outros mortos, alguns poucos com leve ferimentos, e ela parada ao meio de todos, olhando um lutador - ou não - ao longe, sem ferimentos, montando em uma égua, desejando de todas as maneiras aquela menina. Seus olhos se encontravam, as mãos suavam e o corpo estremecia; o desejo era tão grande... Mas talvez ela não dava espaço pra ele passar, talvez ele não queria ser um dos lutadores ao chão.